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XIII CBESP e a desburocratização energizante

31/05/21

Por Celso Niskier

Em meio a um dos momentos mais difíceis e desafiadores para a humanidade, o setor particular de educação superior conseguiu se organizar e retomar a realização daquele que, mais do que um evento, consiste em um marco nos debates e no ajuste de rotas para a educação superior no Brasil.

Destacando a importância do empreendedorismo e dos modelos inovadores de educação para a superação dos desafios gerados pela pandemia de Covid-19 e para a retomada do desenvolvimento socioeconômico do país, a 13ª edição do Congresso Brasileiro da Educação Superior Particular (CBESP), promovida pelo Fórum das Entidades Representativas do Ensino Superior Particular e pela Linha Direta nos dias 27 e 28 de maio, marcou de forma significativa a virada de chave para uma educação mais alinhada às necessidades sociais e mercadológicas deste complexo século 21.

Realizado pela primeira vez no formato on-line e totalmente gratuito, o CBESP de 2021 atingiu outra conquista significativa: o recorde absoluto no número de participantes. Desta vez, mais de 4.000 pessoas puderam acompanhar os debates ocorridos ao longo dos dois dias, ante a média de 500 congressistas nas edições presenciais do evento.

Ao reunir, virtualmente, referências nacionais e internacionais como o professor e físico teórico Marcelo Gleiser; a empresária Luiza Helena Trajano; o ministro da Educação, Milton Ribeiro; e a presidente do Conselho Nacional de Educação, professora Maria Helena Guimarães de Castro, o Congresso conseguiu oferecer ao participante debates de altíssima qualidade ao mesmo tempo em que construiu pontes e apontou direções para a efetivação de uma relação simbiótica que há tempos emite fortes sinais do seu poder de transformação. Educação e empreendedorismo são duas vertentes intimamente ligadas e irremediavelmente necessárias para a construção da sociedade que almejamos.

Durante o CBESP ficou ainda mais evidenciada a urgência no desenvolvimento de processos educacionais que estimulem o empreendedorismo dos estudantes e das instituições de educação superior, mas também do rompimento das barreiras regulatórias e paradigmáticas que insistem em manter a educação superior brasileira presa a amarras ultrapassadas e alinhadas a uma estrutura que há muito não se mostra eficiente.

Outro ponto que merece destaque é o quanto o Congresso destacou a sintonia existente entre os atuais gestores das políticas públicas educacionais e o setor particular de educação superior. Com falas vibrantes, o ministro da Educação e a presidente do CNE mostraram-se alinhados e atuantes no sentido de mitigar alguns dos principais entraves ao desenvolvimento da educação superior no país, como o alto grau de regulamentação a que são submetidas as IES; o reconhecimento do direito à livre iniciativa e sua valorização; e o atraso que o atual formato do Enem impõe ao desenvolvimento de metodologias e políticas educacionais alinhadas às necessidades do século 21, em especial ao mundo pós-pandemia.

Para facilitar na visualização dos pontos a serem repensados e contribuir com a construção de políticas educacionais capazes de conduzir ao país a novos patamares sociais e econômicos, a carta resultante da 13ª edição do CBESP, em um trabalho hercúleo de síntese, elencou dez tópicos que precisam ser estrategicamente (e urgentemente) inseridos no âmbito da educação superior e da sociedade brasileira:

1. Valorizar o empreendedorismo, como uma das habilidades do futuro do trabalho, nos currículos da graduação, por meio de projetos, disciplinas, ferramentas e estímulos à formação de empresas “startups”;
2. Liberar o espírito empreendedor dos mantenedores de instituições de educação superior, por meio de incentivos à inovação e da redução da carga regulatória excessiva;
3. Facilitar o compartilhamento de experiências globais bem-sucedidas e a internacionalização das IES brasileiras, especialmente no que se refere aos projetos de estímulo ao empreendedorismo;
4. Aprimorar os atuais modelos regulatórios, dando a eles maior celeridade, reconhecimento da diversidade regional das IES e valorização das formas alternativas de avaliação, incluindo a autoavaliação institucional;
5. Transformar a avaliação em um processo formativo e de aprendizagem com foco no aprimoramento institucional, minimizando o seu caráter meramente punitivo;
6. Adotar, de forma definitiva, a avaliação externa virtual in loco, bem como adotar as novas tecnologias digitais da informação e da comunicação como instrumentos de aprimoramento do processo de avaliação institucional;
7. Abolir a diferenciação entre educação presencial e educação a distância, propondo a adoção do termo "educação mediada por tecnologias” como paradigma para o mundo pós-pandemia, com consequente processo único de credenciamento e recredenciamento das IES junto ao MEC;
8. Avançar na implantação do diploma digital, dando maior autonomia às IES para que possam registrar e emitir seus próprios diplomas, com requisitos de segurança e transparência;
9. Aproveitar a oportunidade da curricularização da extensão para ampliar a atuação social das IES, em particular com estímulos ao empreendedorismo social dos estudantes;
10. Criar um ambiente propício ao empreendedorismo, à criatividade e à inovação das IES, de forma a permitir que o Brasil supere o momento crítico que vive e que possa progredir na direção de um futuro melhor, com protagonismo do setor educacional na formação da mão de obra necessária para o desenvolvimento social e econômico do país.

O caminho é longo, mas o primeiro passo já foi dado. Quem dera o estabelecimento de soluções fosse cartesiano, sendo excessivamente racional e metódico. Mas sabemos que nas ciências humanas – assim como nas relações e construções sociais – nada, ou quase nada, é exato.

Por isso, pode ser que o caminho para uma educação empreendedora – e transformadora – conte com alguns desvios ou paradas estratégicas que não estejam contempladas no mapa traçado pelo CBESP, mas não há como negar que ali tem-se um grande ponto de partida.

A hora é de olharmos para a frente e desbravarmos essas terras ainda tão pouco exploradas pela educação superior brasileira. No fim, em vez de um baú com um tesouro perdido em tempos remotos, encontraremos algo muito mais valioso: progresso para o país e melhoria das condições de vida para todos nós que aqui vivemos.

Fonte: ABMES